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Pastilhas de metal duro de formatos diferentes ao lado de um suporte de torneamento

Código de pastilha de torno: cada posição explicada

CNMG 120408 diz formato, folga, tolerância, fixação, tamanho, espessura e raio. Aqui, cada posição do código da pastilha e do suporte, letra por letra.

Toda pastilha de torneamento intercambiável carrega um código de letras e números definido pela norma ISO 1832. As sete primeiras posições descrevem a geometria e são iguais em qualquer fabricante: formato, folga, tolerância, tipo de fixação, tamanho, espessura e raio. O que vem depois é por conta de cada marca, normalmente o quebra-cavaco e a classe.

Ler essas sete posições resolve três problemas do dia a dia: saber se a pastilha de outra marca cabe no suporte que já está na torre, entender por que duas pastilhas parecidas trabalham tão diferente, e comprar certo sem depender da foto do catálogo. Abaixo, o código desmontado posição por posição, com as letras que mais aparecem em torno CNC.

Decodificação do código CNMG 120408 posição por posição
As sete posições da norma no exemplo mais comum de pastilha negativa.

Posição 1: o formato da pastilha

A primeira letra diz a forma e, com ela, o ângulo da ponta que efetivamente corta. Quanto maior esse ângulo, mais material de metal duro sustenta a aresta e mais carga ela aguenta. Quanto menor, mais a ferramenta entra em perfil, rebaixo e cópia.

  • R: redonda. A mais robusta de todas, usada em desbaste pesado, perfil com raio e material difícil.
  • S: quadrada, 90°. Muito forte, comum em desbaste e chanfro a 45°.
  • C: rômbica de 80°. A mais versátil do torno: desbasta, faceia e acaba com o mesmo suporte.
  • W: trigonal, com pontas de 80°. Robusta como a C e com mais arestas por pastilha na versão negativa.
  • T: triangular, 60°. Muito usada em máquina menor e em operação geral, com três pontas por face.
  • D: rômbica de 55°. Entra em perfil e copia contorno com ângulo de saída moderado.
  • V: rômbica de 35°. A de maior acesso a perfil e rebaixo, e a de aresta mais frágil.
Formatos de pastilha do mais robusto ao de maior acesso a perfil
Do formato redondo ao V de 35°: cada passo para a direita ganha acesso e perde robustez.

Na prática, um torno de produção costuma resolver a maior parte do serviço com C ou W para desbaste e faceamento e D ou V para acabamento de perfil. Escolher V para tudo porque ela faz qualquer contorno é um jeito rápido de lascar aresta em desbaste.

Posição 2: o ângulo de folga

A segunda letra é o ângulo de folga da própria pastilha, medido na face lateral, abaixo da aresta. É ela que separa pastilha negativa de positiva.

  • N: 0°. Pastilha negativa. A folga de trabalho vem da inclinação do suporte.
  • A: 3°.
  • B: 5°.
  • C: 7°. A folga mais comum em pastilha positiva de torneamento, como CCMT e DCMT.
  • P: 11°. Também frequente em pastilha positiva para acabamento e alumínio.
  • D: 15°.
  • E: 20°.

Pastilha negativa tem paredes retas e por isso pode ter quebra-cavaco e aresta útil dos dois lados: uma CNMG tem quatro pontas de 80° por pastilha, duas em cada face. O suporte a monta inclinada para criar a folga, o que aumenta a força de corte, mas deixa a aresta mais grossa e resistente.

Pastilha positiva já nasce com folga, trabalha só de um lado e corta com menos força. Ela gera menos esforço radial, vibra menos em peça fina e em barra de mandrilar comprida, e é a escolha natural para máquina de menor potência e para acabamento leve.

Posição 3: a classe de tolerância

A terceira letra define quanto as dimensões da pastilha podem variar de uma peça para outra: o círculo inscrito, a espessura e a posição da ponta. Ela importa porque, depois de trocar a aresta, a ponta da pastilha nova precisa cair no mesmo lugar da anterior.

  • M: a mais comum em pastilha prensada e sinterizada, sem retífica na periferia. Atende a grande maioria do torneamento.
  • G: pastilha retificada na periferia, com tolerância mais fechada no círculo inscrito. Aparece em acabamento fino e em pastilha de rosca e canal.
  • E: tolerância ainda mais estreita, usada onde a repetição da posição da ponta precisa ser muito precisa.

Para quem produz em série, a consequência é direta: com pastilha de classe M, depois de girar a aresta vale conferir a primeira peça e ajustar o corretor se a cota for apertada. Com G ou E, a ponta volta mais perto do lugar, e o ajuste costuma ser menor ou desnecessário.

Posição 4: furo de fixação e quebra-cavaco

A quarta letra diz como a pastilha é presa e se tem quebra-cavaco moldado. É a posição que mais confunde quem compra, porque define o suporte compatível.

  • A: furo cilíndrico, sem quebra-cavaco.
  • G: furo cilíndrico, quebra-cavaco nas duas faces. É a letra da CNMG, da WNMG e da maioria das negativas de dupla face.
  • M: furo cilíndrico, quebra-cavaco em uma face só.
  • N: sem furo e sem quebra-cavaco. Presa por grampo por cima.
  • R: sem furo, com quebra-cavaco em uma face.
  • T: furo escareado em uma face, quebra-cavaco nessa face. É a letra da CCMT e da DCMT, presas por parafuso.
  • W: furo escareado em uma face, sem quebra-cavaco.

O furo cilíndrico casa com suporte de alavanca ou de grampo e pino. O furo escareado casa com suporte de parafuso. Pastilha de furo cilíndrico não fica firme num assento de parafuso, e o contrário também não funciona.

Posição 5: o tamanho da aresta

Os dois números seguintes indicam o comprimento da aresta de corte em milímetros, sem as casas decimais. O ponto que pega muita gente é que esse número muda conforme o formato, porque o que realmente define o tamanho da pastilha e o assento do suporte é o diâmetro do círculo inscrito.

  • CNMG 12: aresta de cerca de 12,9 mm, círculo inscrito de 12,7 mm.
  • DNMG 15: aresta de cerca de 15,5 mm, círculo inscrito de 12,7 mm.
  • WNMG 08: aresta de cerca de 8,7 mm, círculo inscrito de 12,7 mm.
  • TNMG 16: aresta de cerca de 16,5 mm, círculo inscrito de 9,525 mm.
  • VNMG 16: aresta de cerca de 16,6 mm, círculo inscrito de 9,525 mm.
  • DCMT 11: aresta de cerca de 11,6 mm, círculo inscrito de 9,525 mm.

Repare que a TNMG 16 tem a aresta mais longa da lista e é uma pastilha menor que a CNMG 12. A conta de que "16 é maior que 12" só vale dentro do mesmo formato. Na hora de comparar capacidade de profundidade de corte entre formatos, olhe o círculo inscrito e o comprimento útil indicado pelo fabricante, não o número do código.

Posição 6: a espessura

  • 02: 2,38 mm.
  • 03: 3,18 mm.
  • T3: 3,97 mm. O T indica uma espessura intermediária entre 03 e 04.
  • 04: 4,76 mm.
  • 06: 6,35 mm.

Espessura maior aguenta mais carga e choque, por isso negativa de desbaste costuma vir em 04 ou 06. Positiva de acabamento fica em 02, 03 ou T3. E o assento do suporte é feito para uma espessura: uma DCMT 11T304 e uma pastilha de mesmo formato mas espessura 03 não são intercambiáveis sem trocar o calço ou o suporte.

Posição 7: o raio de ponta

  • 02: 0,2 mm.
  • 04: 0,4 mm.
  • 08: 0,8 mm.
  • 12: 1,2 mm.
  • 16: 1,6 mm.

O raio é o número que mais mexe no resultado e o que mais se escolhe no automático. Raio maior deixa a ponta mais forte e permite avanço maior para a mesma rugosidade, mas aumenta a força radial e a tendência a vibrar. Raio menor corta com menos esforço, funciona melhor em peça fina e em profundidade pequena, e exige avanço menor para o mesmo acabamento. A relação entre raio, avanço e rugosidade está em como escolher o avanço para usinar no torno.

Uma regra prática dos catálogos: evite profundidade de corte menor que o raio. Com 0,3 mm de sobremetal, uma ponta de 1,2 mm passa esfregando em vez de cortar.

Depois do raio: condição da aresta, mão e o código do fabricante

A norma prevê ainda posições opcionais para a condição da aresta e para a mão de corte. Na aresta, F indica aresta viva, E aresta arredondada, T aresta chanfrada e S aresta chanfrada e arredondada. Na mão, R é direita, L é esquerda e N é neutra. Essas posições aparecem mais em pastilha especial, rosca e canal.

Na pastilha comum de torneamento, o que vem depois do raio, geralmente separado por hífen, é o código do fabricante. Ele indica a geometria do quebra-cavaco, com letras que costumam sugerir acabamento, médio ou desbaste, e a classe, que é a combinação de substrato e cobertura. Esses códigos não são padronizados entre marcas. Para comparar, use a faixa de avanço e de profundidade que cada fabricante informa para o quebra-cavaco, e a posição da classe na escala ISO.

Cinco códigos decodificados

  • CNMG 120408: rômbica 80°, negativa, tolerância M, furo cilíndrico com quebra-cavaco nas duas faces, círculo de 12,7 mm, espessura 4,76 mm, raio 0,8 mm. A pastilha mais comum de desbaste e semiacabamento em aço.
  • DCMT 11T304: rômbica 55°, positiva de 7°, tolerância M, furo escareado com quebra-cavaco em uma face, círculo de 9,525 mm, espessura 3,97 mm, raio 0,4 mm. Acabamento e perfil leve, peça fina, mandrilamento.
  • VNMG 160404: rômbica 35°, negativa, tolerância M, dupla face, círculo de 9,525 mm, espessura 4,76 mm, raio 0,4 mm. Perfil e cópia com acesso a rebaixo.
  • TNMG 160408: triangular, negativa, tolerância M, dupla face, círculo de 9,525 mm, espessura 4,76 mm, raio 0,8 mm. Seis pontas por pastilha em torneamento geral.
  • WNMG 080408: trigonal 80°, negativa, tolerância M, dupla face, círculo de 12,7 mm, espessura 4,76 mm, raio 0,8 mm. Robusta, seis pontas, boa para desbaste e faceamento.

As classes ISO de material: P, M, K, N, S e H

A classe da pastilha, que vem no código do fabricante, é posicionada numa escala da ISO 513. A letra diz o grupo de material para o qual ela foi feita, e cada grupo tem uma cor que aparece na caixa e no catálogo.

Classes ISO de material P, M, K, N, S e H com as cores de cada grupo
Os seis grupos de material da ISO 513 e suas cores de identificação.
  • P, azul: aços, do carbono ao ligado.
  • M, amarelo: aços inoxidáveis.
  • K, vermelho: ferros fundidos.
  • N, verde: alumínio, cobre, latão e outros não ferrosos.
  • S, laranja ou marrom: superligas resistentes ao calor e titânio.
  • H, cinza: materiais endurecidos.

Dentro de cada grupo, o número que acompanha a letra vai de 01 a 50 no P e menos nos outros grupos. Número baixo, como P10, indica classe mais dura e resistente ao desgaste, para corte contínuo, condição estável e velocidade alta. Número alto, como P30 ou P40, indica classe mais tenaz, para corte interrompido, peça bruta com casca, fixação menos rígida e velocidade menor.

Uma classe pode cobrir mais de um grupo. É comum a mesma pastilha aparecer como P25 e M20 no catálogo. O que não se deve fazer é usar pastilha de N, polida e afiada para alumínio, em aço: a aresta foi feita para outra coisa e não dura.

O código do suporte, posição por posição

O suporte de torneamento externo segue a ISO 5608, e o código conversa com o da pastilha. O exemplo mais comum é o PCLNR 2525M12, que leva justamente a CNMG 12.

  • P: sistema de fixação por alavanca, que puxa a pastilha pelo furo contra o assento. Outras letras comuns: M, grampo por cima mais pino no furo; S, parafuso pelo furo escareado; C, grampo por cima para pastilha sem furo.
  • C: formato da pastilha, igual à primeira letra dela.
  • L: ângulo de posição do suporte. L é 95°, que torneia e faceia com o mesmo suporte. Outros frequentes: J, 93°, comum com pastilha D e V para perfil; K, 75° de faceamento; S, 45°.
  • N: ângulo de folga da pastilha que o suporte recebe, igual à segunda letra dela.
  • R: mão de corte. R direita, L esquerda, N neutra.
  • 2525: altura e largura da haste, 25 × 25 mm.
  • M: comprimento total do suporte, 150 mm.
  • 12: tamanho da aresta da pastilha, igual à quinta posição dela.

A haste precisa caber na torre da máquina. Nas configurações da linha GT, a torre servo trabalha com haste quadrada de 20 ou 25 mm e mandrilamento de Φ25 a Φ40 mm. Comprar suporte 3232 para uma estação de 25 é um erro que aparece mais do que deveria em máquina nova. Para barra de mandrilar, o código começa pela haste: material e diâmetro, como S25 para uma barra de aço com haste de 25 mm.

Como escolher a pastilha por operação

  • Desbaste em aço: negativa C ou W, espessura 04 ou 06, raio 0,8 a 1,6 mm, quebra-cavaco de desbaste, classe P25 a P35 conforme a estabilidade.
  • Semiacabamento: CNMG ou WNMG com raio 0,8 mm e quebra-cavaco médio. É a combinação que resolve a maior parte das peças.
  • Acabamento de perfil: D ou V, raio 0,4 mm, quebra-cavaco de acabamento. Em máquina ou peça menos rígida, a versão positiva, DCMT ou VCMT.
  • Peça fina, longa ou parede fina: positiva, raio pequeno, ângulo de posição perto de 90°, para jogar a força na direção do eixo e não empurrar a peça.
  • Mandrilamento: positiva, raio pequeno, o maior diâmetro de barra que o furo aceita e o menor balanço possível.
  • Alumínio: positiva polida, classe N, aresta afiada, para o material não grudar.

O tamanho da máquina também conta. Nos tornos gang tool GT35, com motor de 3,7 kW, uma pastilha positiva corta com menos força e costuma render mais do que insistir numa negativa grande pensada para máquina mais potente. Veja a ficha do torno CNC gang tool.

Erros comuns na compra

  • Comparar tamanho entre formatos pelo número da aresta, e não pelo círculo inscrito.
  • Comprar pastilha de furo cilíndrico para suporte de parafuso, ou o contrário.
  • Trocar a espessura sem trocar o calço: a ponta fica fora de altura de centro.
  • Usar raio grande em acabamento com sobremetal pequeno, e a pastilha esfrega em vez de cortar.
  • Escolher a classe pela marca da caixa e não pelo grupo ISO do material da peça.
  • Comparar preço por pastilha e não por aresta: uma negativa de dupla face tem o dobro de pontas de uma positiva do mesmo formato.
  • Montar suporte de haste maior que a estação da torre, ou de mão errada para o sentido de corte.

Para levar para a máquina nova

Na compra de um torno, o ferramental costuma ser decidido às pressas, depois da máquina. A sequência que dá menos retrabalho é inversa: defina as peças, as operações e a família de pastilhas, confira as hastes e os diâmetros de barra que a torre aceita e só então feche o kit de suportes. Se você está avaliando uma máquina da linha, mande o desenho e a lista de ferramentas que usa hoje, e a gente confere a compatibilidade com a torre. Veja a ficha do torno CNC com torre servo.

Leve a dúvida para a sua peça

Texto técnico ajuda a comparar, mas a decisão sai do desenho. Envie material, dimensões, operações e volume para receber a indicação de configuração.

  • Desenho técnico ou foto da peça
  • Material e tolerâncias críticas
  • Maior e menor diâmetro, comprimento
  • Operações necessárias
  • Volume por lote, dia ou mês
  • Máquina ou processo usado hoje

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